A pirâmide vermelha

“… os egípcios acreditam no poder do sol nascente. Acreditam que cada amanhecer marca o início não só de um novo dia, mas de um novo mundo.”

Carter e Sadie Kane são irmãos, e desde que a mãe morreu, eles se veem apenas duas vezes por ano. Ele vive viajando pelo mundo com o pai, o egiptólogo Julius e ela mora com os avós maternos em Londres. Os dois tem muito pouco em comum até mesmo a aparência. A história tem início na véspera do Natal quando Julius decide levar os filhos até o British Museum, prometendo que tudo será melhor, no entanto as coisas não saem bem como ele planejou e os irmãos são lançados em uma aventura recheada de surpresas e perigos.

A narrativa é bem dinâmica e intercala as vozes de Carter e Sadie, permitindo uma visão mais ampla da história mesmo sendo ela narrada em primeira pessoa. O livro tem muitas cenas de ação e é recheado de informações sobre a mitologia egípicia, caracerística já conhecida dos leitores do autor, ele consegue permear a narrativa de informações de forma leve e consistente criando uma história envolvente.

“Nos tempos antigos, a margem leste do Nilo era sempre o lado dos vivos, o lado onde nasce o sol. Os mortos eram enterrados na margem oeste. Era considerado de má sorte, até perigoso, viver lá.”

O grande volume de informações e personagens torna o ritmo da leitura um pouco frenético, queremos sempre saber mais, é o tipo de história que se não ficarmos atentos às entrelinhas perdemos detalhes que são significativos para o desenrolar da história, inclusive quem leu a série Percy Jackson e os Olimpianos, vai identificar muitas semelhanças na estrutura da narrativa, mas isso não desmerece o trabalho de Riordan, pois ele se renovou e criou algo totalmente novo, mas permeado de pequenos detalhes que  seus leitores mais atentos não deixaram passar despercebido 😉

“Então não se pode morar em Manhattan? – disparou.
Amós franziu a testa e olhou para o Empire State.
– Manhattan tem outros problemas. Outros deuses. É melhor mantermos tudo separado.
– Outros o quê? – reagiu Sadie.
– Nada.” pg. 53

As personagens são cativantes e comungam da veracidade como principal característica, todos nós conhecemos uma menina rabugenta e sarcática como Sadie e um menino aplicado e tímido como Carter, mas o mais interessante é que a medida que avançamos na leitura vamos nos aprofundamendo e vendo que esses simulacros nos dizem pouco sobre os dois. Gosto das personagens criadas pelo Riordan, principalmente porque que elas são repletas de nuances, ninguém é totalmente bom, nem totalmente mau, são pessoas com conflitos, muitas atormentadas pelas consequências de suas escolhas e que de alguma forma buscam se redimir. O livro é uma deliciosa caixa de surpresas.

“Para todos os meus amigos bibliotecários,
defensores dos livros, verdadeiros mágicos na Casa da Vida.
Sem vocês, o escritor estaria perdido no Duat.” pg. 6

RIORDAN, Rick. As Crônicas dos Kane – Livro um: A pirâmide vermelha. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.

Essa leitura faz parte do Desafio Literário 2012  cuja temática do mês de Setembro era a leitura de livros sobre Mitologia Universal.

Aqui é possível ler as resenhas dos outros participantes.


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