Mais do mesmo

oceanAinda embriagada com a leitura de O oceano no fim do caminho, descobri algumas coisas bem interessantes sobre o livro para compartilhar por aqui:

1 – A prefeitura de Portsmouth  (Inglaterra),  onde se passa a história quer batizar uma rua com o nome do livro. A cerimônia de batismo deve ocorrer em 18 de agosto com a presença do próprio Gaiman. (Omelete)

2 – “Para Amanda, que queria saber”, essa é a singela dedicatória do Gaiman no início do livro, para quem quiser saber o significado e a força dessas palavras, vale a pena conferir a postagem da própria Amanda Palmer. (Blog da Amanda, em inglês)

3 – O Reinaldo, postou no excelente blog Darwin e Deus, uma entrevista  de aquecer o coração dos fãs e nos fazer morrer ainda mais de amores pelo Gaiman, simplesmente imperdível. (Darwin e Deus)

 

Os clássicos que não li

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“Na madrugada você sonha. Com moinhos de vento nunca lidos”. André Valença

Tempos atrás li um artigo bem bacana em que várias pessoas ligadas ao mundo da literatura falavam sobre os clássicos que não tinham lido. Alguns, inclusive, aproveitaram a entrevista para fazer um mea culpa admitindo terem fingido ter lido obras clássicas. Gostei dessa brincadeira e resolvi fazer uma lista com os clássicos que não li e nem pretendo ler 😉

10 clássicos que não li e nunca lerei

1 – O cortiço, Aluísio de Azevedo

2 – Ulysses, James Joyce

3 – Capitães da Areia, Jorge Amado

4 – A divina comédia, Dante Alighieri

5 – Os lusíadas, Luís de Camões

6 – Macunaíma, Mário de Andrade

7 – Ilíada, Homero

8 – A dama das camélias, Alexandre Dumas

9 – Por quem os sinos dobram, Ernest Hemingway

10 – Os trabalhadores do mar, Victor Hugo

E tu, me conta, qual clássico que não leu e nem pretende ler 😉

 

Revista Emília

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Para quem gosta de literatura infantil e juvenil uma ótima pedida de leitura é a Revista Emília, feita com capricho e recheada de conteúdo de primeira qualidade, ela encanta quem leva a sério a literatura feita para quem está se formando leitor.

“No ar desde setembro de 2011, a EMÍLIA é uma revista digital independente criada por amigos ligados área editorial e comprometidos com leitura e livros para crianças e jovens. Para democratizar a prática da leitura e oferecer um meio de discussão e reflexão sobre essas questões, estes profissionais uniram seus conhecimentos e suas experiências para criar EMÍLIA.

A Revista EMÍLIA dialoga com todos que se interessam pela formação de leitores e que são mediadores de leitura: pais, professores, educadores, bibliotecários, promotores de leitura e especialistas. EMÍLIA também dialoga com quem torna possível a criação, produção e divulgação dos livros para crianças e jovens: autores, ilustradores, editores, livreiros, jornalistas, críticos e estudiosos.

EMÍLIA ocupa um espaço fundamental para o amadurecimento da reflexão, discussão e debate em torno da leitura e dos livros para crianças e jovens. Ler é uma atividade primordial, antídoto da exclusão e meio de inserção social. Porém, são inúmeros os desafios e as questões para quem se dedica à promoção da leitura e à formação de leitores no Brasil.

Embora existam diversos projetos e ações nessa área, a Emília é um veículo que congrega de forma crítica experiências e reflexões. E estabelece um diálogo com a produção internacional, possibilitando que todo esse conjunto de iniciativas se torne um instrumento fértil de orientação da prática social voltada para a promoção da leitura.”

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Retrospectiva Literária 2012

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Esse é o terceiro ano que participo da Restrospectiva Literária promovida pela Angélica, do blog Pensamento Tangencial, e como sempre ela foi uma forma de analisar e refletir sobre minhas leituras e especialmente nesse ano conturbado ela contribuiu para que minha meta para 2013 fosse totalmente subvertida 🙂

 RETROSPECTIVA LITERÁRIA 2012

A aventura que me tirou o fôlego: O mapa do tempo, Félix J. de Palma.

O terror que me deixou sem dormir: só li uma obra de terror (Vittorio, o vampiro, Anne Rice) e ela não chegou nem perto de me deixar sem dormir.

O suspense mais eletrizante: O jardim de ossos, Tess Gerritsen.

O romance que me fez suspirar: Razão e Sentimento, Jane Austen.

A saga que me conquistou: Os Arquivos Dresden – Frente de Tempestade, Jim Butcher.

O clássico que me marcou: Walden, Henry  D. Thoreau.

O livro que me fez refletir: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, Jonathan Safran Foer.

O livro que me fez rir:Belas Maldições, Neil Gaiman e Terry Pratchett.

O livro que me fez chorar: Nenhum me fez chorar literalmente, mas Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, Jonathan Safran Foer, foi o que chegou mais perto.

O livro de fantasia que me encantou: As Crônicas do Imaginarium Geographica 1: Onde habitam os dragões, James A. Owen.

O livro que me decepcionou: Um dia, David Nicholls.

O livro que me surpreendeu: Haroun e o mar de histórias, Salman Rushdie.

A frase que não saiu da minha cabeça:

“… qual é o sentido de se dar às pessoas Liberdade de Expressão, e depois dizer que elas não devem utilizá-la? E não é o Poder das Palavras o maior poder de todos os Poderes? Então decerto deve ter plenas garantias de exercício.” (Haroun e o mar de histórias, Salman Rushdie, p.67)

O(a) personagem do ano: Harry Dresden, personagem da série Os Arquivos Dresden, Jim Butcher.

O casal perfeito: Elinor e Edward, do livro Razão e Sentimento, Jane Austen

O(a) autor(a) revelação: Félix J. de Palma.

O melhor livro nacional: Ficção de Polpa, volumes 1, 2 e 3, Samir Machado de Machado (org.)

O melhor livro que li em 2012: Deuses Americanos, Neil Gaiman.

Li em 2012,  46 livros.

A minha meta literária para 2013 é: para o próximo ano optei por me libertar das amarras, de todas elas, portanto não terei nenhuma meta literária, nem mesmo a de ler mais do que em 2012. Lerei apenas o que tenho vontade, quando tiver vontade, simples assim 😉

O contador de histórias

O escritor em momento de descanso em seu escritório. Foto: Leonid StreliaevHoje é dia de celebrar o nascimento de Erico Veríssimo, escritor que mora no meu coração desde os 13 anos quando li “O Tempo e o Vento”. Depois da trilogia que é considerada sua obra prima já li praticamente toda a obra de Érico, e a cada releitura renovo a certeza de que seria uma leitora totalmente diferente se não tivesse começado me iniciado em Literatura Brasileira pela obra de Érico, e como me sinto muito feliz com a leitora que sou, devo um agradecimento especial à este autor que apresentou o Rio Grande do Sul ao resto do país. O crítico literário Antonio Candido vai ainda mais longe e define que: “O Rio Grande do Sul existe muito como visão do Erico”.

Para os leitores que não conhecem sua obra, recomendo com todas as minha forças que leiam Érico Veríssimo 😉

Jane Austen

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E hoje é dia de homenagem à Jane Austen!

A autora nascida em 16 de dezembro, há 237 anos, é adorada no mundo inteiro por sua obra que mescla romance, ironia e uma crítica bem humorada dos costumes da época. Para registrar minha admiração por esta escritora, que de longe é minha predileta trouxe uma citação que gosto muito do livro Orgulho e Preconceito, é uma fala de Mr. Darcy em resposta à indagação de como havia se apaixonado por Elizabeth:

“Não posso determinar a hora ou o lugar, ou o olhar, ou as palavras que estabeleceram o alicerce. Foi muito tempo atrás. Eu estava no meio antes de saber que havia começado.”

Para quem quer saber mais sobre a autora recomendo o blog Jane Austen em Português, escrito com o maior capricho e dedicação pela Raquel Sallaberry.

Comunicado

Olá leitores!

Para aqueles que estranharam a falta de post no blog, eis as explicações: apesar de todas as medidas de segurança que tomei depois que o blog foi hackeado, ele sofreu novas tentativas de ataques no final de novembro, apesar de, aparentemente, ele estar normal, a parte administrativa estava cheia de falhas que me impossibilitaram de mantê-lo atualizado. Somado a estes contratempos técnicos, problemas de saúde também contribuiram para que eu não pudesse me dedicar efetivamente na busca por soluções de segurança.

Enfim acredito que essa má fase tenha passado, pois consegui encontrar a falha na segurança do blog e uma solução  que espero, seja duradoura. É claro que o retorno das atividades do Bbiliophile não poderia ser em outro dia e com outro tipo de post, senão com uma bela estante de quinta, logo mais ela estará enchendo os olhos dos bibliófilos de plantão.

The Bookshop Band

A The Bookshop Band, formada pelos músicos londrinos Beth Porter, Poppy Pitt e Ben Please é uma banda com uma história incomum: ela teve início quando o proprietário da livraria  Mr B’s Emporium of Reading Delights convidou Ben para tocar na loja, com o objetivo de tornar o tradicional bate papo com autores mais interessante. Como a primeira experiência deu certo Ben convidou os amigos e assim nasceu a banda, que tem em seu repertório apenas músicas inspiradas na literatura.

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“Esse projeto começou simplesmente como um meio de a gente se reunir, escrever algumas músicas sobre livros que amamos e tocá-las em uma livraria para algumas pessoas. Nós nos divertimos muito fazendo isso, e não tínhamos maiores expectativas.” Ben Please


A música que mais me emocinou foi justamente a que é uma declaração de amor às livrarias. A “Shop with books in” foi escrita para apoiar um evento britânico que celebra as livrarias independentes, a Independent Booksellers Week 2012, e tem uma letra que fala direto ao coração dos bibliófilos. Eles também escreveram uma música inspirada no nosso querido Saci Pererê, “Oh Saci” é muito especial também, por motivos óbvios.

Neil Gaiman

Esses dias me dei conta de que geralmente não escrevo sobre meus escritores favoritos aqui no blog, falo dos livros sim, mas não da minha relação de fã, sim eu tenho alguns ídolos literários e resolvi que de vez em quando vai rolar um texto falando deles e é claro que vou começar por Neil Gaiman, nenhuma novidade não é mesmo? 😉

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Eu conheci o Neil Gaiman através do extinto fórum Meia Palavra vi um tópico aqui, outro ali, mas o início foi difícil, vocês não imaginam o choque que foi sair a procura de Sandman e encontrar vários arcos esgotados ou a preços exorbitantes até mesmo para mim que não reclamo de preço de livro. Então eu comemorei feito maluca quando em 2010 soube que a Panini ia lançar os 4 volumes da Edição Definitiva de Sandman, comprei os três que já foram lançados ainda na pré-venda, e eles valeram cada centavo que paguei por eles, pagava de novo e de novo só pelo prazer de reler uma edição tão caprichada.

Mas então que vocês devem estar pensando que eu idolatro o sujeito e só li uma obra dele, é claro que não, pois quem não tem cão caça com gato, e já que eu não tinha Sandman, me joguei na minissérie de 4 espisódios “Os livros da Magia” e pesquisando sobre onde encontrar para comprar acabei descobrindo que tinham acusado J.K. Rowling de plagiar essa série e aí cai de amores de vez pelo Gaimam porque ao invés de entrar numa dessas de brigar para ver quem é mais criativos e coisa e tals, ele fez estas  declarações:

“O arquétipo do jovem feiticeiro tem vários outros precedentes na literatura” .

Alguns idiotas processaram J.K. Rowling (ninguém os contou sobre os Livros da Magia, ou eles me processariam também). Não que eu esteja sugerindo que Tim Hunter  [personagem bruxo de Livros da Magia] seja igual a Harry Potter. Eu nunca acreditei que ela  [J.K.]  os tenha lido. Só estou dizendo que esses idiotas poderiam me processar também.

E eu pergunto tem como não amar um autor que diz isso? Em um mundo meio caótico em que muitos querem mérito por aquilo que outros fizeram me dá um certo orgulho alheio de ver que tem gente que assume sim que se inspira em outras ideias e Gaiman faz isso muito bem, como descobri no seu excelente “O Livro do Cemitério” que é inspirado publicamente em O Livro da Selva, de Rudyard Kipling mas é outra história.

Mas antes de ler  O Livro do Cemitério eu li  Stardust, e tem uma história bem legal porque eu assisti primeiro o filme, o guri que atende na videolocadora que frequento já conhece meus gostos me indicou: ” Ei chegou um filme que tu vais adorar, é fantasia pura” levei e como ele profetizou adorei mesmo, ai fui conferir os extras (amo extras de filme) e quase surtei quando descobri que o filme era baseado em uma história do Gaiman, foi muito lindo ver ele falar das inspirações que o levaram a escrever Stardust:

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“Lembro de duas fagulhas criativas para Stardust. O Povoado de Muralha, a ideia que temos um vilarejo perto de Faire foi metade da inspiração. E aquilo foi mais ou menos em 1988 nas minhas primeiras férias. Minha mulher e eu deixamos nosso filhos e fomos para a Irlanda por uma semana. Em algum lugar de Cork, passamos por um campo com um belo muro, e havia um bruraco no muro, dava para ver um floresta fabulosa pelo buraco. Olhei aquilo e pensei: não seria legal se do outro lado do muro estivesse uma terra mágica com tudo o que você sempre sonhou?

Esse foi o começo.

Depois em 1992 eu estava no deserto, em Tucson no Arizona. Na Inglaterra quando eu era criança quando a gente via uma estrela cadente, era um fiapo de luz. E a gente dizia: “Ah uma estrela cadente!”. No deserto com esse céu de veludo, azul escuro eu vi uma estrela cadente. Eu vi um meteorito. E era o mesmo que ver uma estrela caindo, ver a sequência toda e essa coisa brilhante, feito um diamante, em chamas na sua queda. Fiquei ali olhando a estrela caindo e pensei: daria ara tentar achá-la. De repente, tudo se juntou com a ideia do muro, achei que se caísse do “lado errado” do muro não seria um meteorito, não seria um monte de rocha, seria uma garota. E aí, eu tinha a história.”

É claro que depois de assistir esse video eu preciva ler o livro, e com ele Gaiman foi sendo alçado cada vez mais ao posto de autor predileto, a maneira como ele resiginifica tudo que já foi escrito, e principalmente a forma sincera com que ele lida com suas fontes de inspiração me fazem admirá-lo, mais e mais e mais.

Então veio Coraline. Ah, Coraline! Essa história de dar medo em qualquer um, não apenas nas crianças mas também nos marmanjos simplesmente porque ela mexe com nossos medos mais ancestrais, uma coisa que me faz adorar esse livro é que Coraline é tão corajosa, ela está lá morrendo de medo, mas enfrenta ele mesmo assim, e isso sim é coragem!

Lugar Nenhum foi o primeiro romance adulto do Gaiman que li, e apesar de muitos assegurarem que ele é um livro abaixo dos padrões dele, eu amei, adoro as referências, a maneira como a história vai nos absorvendo que quando nos damos conta já amanheceu e ainda estamos vidrados na história.

Os lobos dentro das paredes entrou na minha vida porque o meu pequeno queria ler uma história de terror, uns dias antes do pedido tinha visto uma resenha sobre o livro e foi uma escolha certeira, que só me fez lembrar o quanto Gaiman é genial, ele consegue escrever para crianças de uma forma tão peculiar, é um autor que respeita as crianças, e também por isso tem meu respeito. E tem uma coisa muito curiosa sobre essa coisa de ídolo: o pequeno meio que já era fã do Gaiman, de tanto me ouvir falar ele já tinha várias referências que com certeza impactaram na leitura que ele fez, e isso ficou bem claro quando em uma ida à livraria ele me diz: “vou conferir se tem algum Gaiman novo na sessão infantil” e foi assim que trouxemos para casa o totalmente  nonsense Cabelo Doido, outra obra pra lá de adorada e encantadora.

Se Coisas Frágeis fosse apenas composto pelos contos “O Problema de Susan” e “O Monarca do Vale” a leitura já teria sido fantástica, o primeiro resignifica o final da personagem Suzana da série “Crônicas de Nárnia” e eu como detestei o destino que C.S. Lewis reservou para ela adorei esse novo olhar, já o segundo porque me apresentou Shadow, mas nem de longe me preparou para o que estava por vir duas leituras adiante.

No meu panteão literário ao lado de Gaiman está Terry Pratchett, sendo assim um livro escrito a quatro mãos pelos dois não poderia me decepcionar e Belas Maldições é um livro tão fantástico e bem humorado que sempre que recordo de uma passagem um sorriso, ou melhor uma gagalhada, brota espontaneamente.

Odd e os gigantes de gelo foi uma surpresa muito doce, sempre me surpreendo com os livros que o Gaiman escreve para o público infanto-juvenil porque sempre encontro neles um respeito à criança que falta a muitos outros autores, ele não nivela os pequenos por baixo, não duvida da capacidade de compreensão delas, escreve com o mesmo apuro que encontramos em sua obra adulta, ou seja amor em estado bruto.

E aí meus caros quando achei que não poderia mais elevar o nível de idolatria eis que me jogo na leitura de Deuses Americanos e o estrago está feito porque simplesmente descubro que sim, eu podia me apaixonar ainda mais pelo Gaiman, depois dessa leitura passei a compreender quando os amigos diziam que eu deveria ler esse livro, que se eu tinha curtido “Lugar Nenhum” eu ia amar Deseus Americanos, eles estavam cobertos de razão, sem sombra de dúvidas uma das leituras mais fantásticas e significativas que já fiz e que recomendo para todos.

Para saber um pouco mais sobre o Gaiman, recomendo com todas as minhas forças o especial que a Lu escreveu lá no Coruja em teto de zinco quente e o artigo que a Núbia escreveu no blog Blá, blá, blá aleatório, na sessão “Escritores de Quinta”, elas são ninjas e conseguem manter o foco sobre os fatos da vida e da carreria dele sem esbarrar, como eu, na idolatria desenfreada 😉