Meme Literário 2012 – Dia 31

Dia 31 – Qual o livro que você leu esse ano que mais gostou? Fale sobre ele.

Báh que pergunta terrível de responder, esse foi um ano de poucas e ótimas leituras, acho que nem um top 10 me salvaria aqui, como gosto de seguir as regras vou eleger Belas Maldições: As Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa,  Neil Gaiman e Terry Pratchett, pelos motivos mais óbvios possíveis: é um livro simplesmente fantástico, foi escrito pelos meus ídolos literários, fala do armagedon, as personagens tem nomes impagáveis como Não-Cometerás-Adultério Pulsifer, é sarcático, hilário, crítico, irônico…. ahhhhh chega de palavras tolas,  é um livro inefável!!!

“— Nossa — disse Aziraphale. É ele.

— Ele quem? – perguntou Crowley.

A Voz de Deus — disse o anjo. — O Metatron. Os Eles arregalaram os olhos.

Então Pimentinha disse:

— Não é não, O Metatron é de plástico e tem um canhão laser e pode se transformar num helicóptero.

— Esse é o Megatron Cósmico — disse Wensleydale fraco. — Eu tinha um, mas a cabeça caiu. Acho que este é diferente.”

Belas Maldições

" Crianças! Provocar o Armagedon pode ser perigoso. Não tentem isso em casa."

Ler a última palavra de Belas Maldições, As Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa me deixou sem fôlego, desnorteada e principalmente em êxtase, êxtase que só é causado por leituras simplesmente fantásticas. Inefável me parece o único adjetivo capaz de descrever o impacto desta leitura para mim.

Um livro que estampa na capa os nomes de Neil Gaiman e Terry Pratchett tem um poder avassalador sobre mim, comprei Belas Maldições sem saber nada, nadinha sobre a história, apenas por ele ter sido escrito a quatro mãos pelos meus dois ídolos literários. Isto posto, espero que os leitores não busquem neutralidade nesta resenha, todos os textos que já produzi ou que produzirei sobre eles são e serão passionais elevados à máxima potência.

Quando descobri que o livro era sobre o fim do mundo fiquei ainda mais animada para ver o que Gaiman e Pratchett tinham aprontado, separados eles nunca me decepcionaram mas e juntos? Ah juntos, eles são simplesmente geniais!

As referências à passagens bíblicas, literatura, o cotidiano londrinho, cinema, música permeiam texto inteiro fazendo com que a leitura seja, como diria Lu, um grande jogo de palavras cruzadas, muitas delas se perdem, mas outras fazem parte do imaginário popular e do senso comum, e isso torna o texto hilariante até mesmo para o mais desavisado dos leitores. E as notas de rodapé? Não conheço ninguém que use notas de rodapé como Pratchett, elas fazem parte do texto de forma tão instrínseca (ou não) que não cansam e nem tornam a leitura enfadonha, muito pelo contrário, várias risadas são fruto da leitura delas.

Apocalipse que se preze tem que ter um anticristo e neste caso, ele é um guri adorável, que ama a cidade onde vive, quer salvar as baleias e tem um cão infernal chamado Cão, e tudo isso porque irmã Maria, da Ordem Faladeira de Santa Beryl (a ordem mais bizarra e hilária da qual se teve notícias) fez aquele truque da ervilha com três copinhos.

"É assim que acontece, você acha que está no topo do mundo, e de repente jogam o Armagedon em cima de você."

As personagens criadas por Gaiman e Pratchett são tão apaixonantes que poderia facilmente escrever um tratado de muitas e muitas páginas apenas falando delas, vou tentar apelar para o poder da síntese, mas não posso garantir nada.

Vamos começar com Aziraphale e Crowley que apesar de serem um anjo e um demônio vivem na terra há seis mil anos e não querem que ela seja destruída. As passagens com eles são memoráveis, gostei muito das divagações filosóficas, principalmente quando eles debatem sobre a natureza humana e demonstram verdadeiro assombro diante das coisas que as pessoas criam e fazem, como a bomba-âtomica e a inquisição, coisas tão absurdas que, segundo Crowley, nem mesmo o diabo as conceberia.

“Em matéria de maldades, humanos dão de dez a zero no capeta.”

E o que dizer dos "Os quatro cavaleiros do apocalipse"? Confere comigo: Guerra, Fome, Peste e Morte, certo? Errado. A Peste se aposentou em 1936 quando Alexander Flemming descobriu a penicilina. A forma como eles vão aparecendo no texto, a maneira como se adaptaram ao mundo contemporâneo é simplesmente fantástica.

Teve outras duas coisas relacionadas com as referências que falei lá em cima que gostei, primeiro aquelas que estão nos nomes das personagens, leitores de O Senhor dos Anéis não deixarão passar despercebido o nome da Pimentinha, por exemplo. E segundo quando ela confunde Metatron com megatron, impossível não se acabar de tanto rir.

"— Nossa — disse Aziraphale. É ele.

— Ele quem? – perguntou Crowley.

A Voz de Deus — disse o anjo. — O Metatron. Os Eles arregalaram os olhos.

Então Pimentinha disse:

— Não é não, O Metatron é de plástico e tem um canhão laser e pode se transformar num helicóptero.

— Esse é o Megatron Cósmico — disse Wensleydale fraco. — Eu tinha um, mas a cabeça caiu. Acho que este é diferente."

Destaque também para as bruxas da família Nutter, tanto Agnes que escreveu o livro "As Belas e Precisas Profecias de Agnes Nutter, Bruxa" que contém todas as previsões sobre o apocalipse, quanto Anathema Device, descendente de Agnes, para quem o livro foi escrito são personagens muito peculiares e encantadoras. Outra família que vale a menção é a Pulsifer nem que seja só pelos nomes com os quais costumava batizar seus filhos, nomes como Não-Cometerás-Adultério Pulsifer, que diga-se de passagem é um caçador de bruxas.

" – Amarrai bem – disse ao caçador de bruxas atônito. E então, quando os aldeões se aproximaram da pira, ela ergueu a bela cabeça à luz do fogo e falou: – Chegai mais perto, boa gente. Chegai perto até que o fogo quase vos queime, pois eu digo que todos devem ver como a última bruxa verdadeira na Inglaterra morre. Pois bruxa eu sou, por tal sou julgada, mas não sei qual possa de ser meu verdadeiro Crime. E portanto deixai minha morte ser uma mensagem para o mundo. Chegai mais perto, eu digo, e marcai bem o destino de todos os que lidam com coisas que não entendem.

E, aparentemente, ela sorriou e olhou para o céu sobre a aldeia e acrescentou:

– Isso tambem serve para você, seu velho tolo."

Enfim este é um dos melhores livros que já li, para além da minha idolatria com os autores a obra é simplesmente fantástica, todo texto é permeado de questões muito mais aprofundadas do que se pode pensar de um livro tão deliciosamente hilário e irônico, mas é só ir além para perceber que a obra é acima de tudo sobre os seres humanos e sobre aquilo que nos torna o que somos, Gaiman e Pratchett usaram toda a maestria e construiram personagens tão próximas de nós que a reflexão é inevitável.

Eu só gostaria de dizer — disse ele — que se não sairmos desta, que… eu sei que, bem no fundo, havia uma fagulha de bondade em você.

— Isso mesmo — disse Crowley amargo. — Estrague meu dia.

Aziraphale estendeu a mão.

— Foi bom te conhecer — disse.

Crowley apertou-a.

— Até a próxima — disse. — E… Aziraphale?

— Sim?

— Lembre-se de que eu sei que, no fundo, você era filho da puta o suficiente para valer a pena gostar.

Meme Literário – Dia 31

Dia 31 – Qual o livro que você leu esse ano que mais gostou? Fale sobre ele.

Estranhas Irmãs, Terry Pratchett. Ele é o sexto livro da série Discworld, mas pode ser lido sem problemas fora de ordem. É um livro mágico, me fez amar ainda mais o Pratchett, e não vou escrever muito mais sobre ele que logo tem resenha 😉

Meme Literário – Dia 30

Dia 30 – Qual foi o último livro que você comprou? Fale sobre ele.

O último que comprei foi a A Luz Fantástica, Terry Pratchett, pela Estante Virtual. Ele é o segundo livro da série Discworld e conta aventura de Rincewind, DuasFlor e Bagagem após eles caírem pela borda do mundo. Estou super ansiosa para ler, fazia muito tempo que queria este livro, assim como todos os outros da série Discworld, pena que a maioria dos 13 volumes já publicados em terras tupiniquins estejam esgotados e a Editora Conrad não tem pretensão de reeditá-los aqui no Brasil 🙁

Meme Literário – Dia 14

Dia 14 – Se você pudesse fazer uma pergunta para o seu escritor preferido (vivo ou morto), qual seria o escritor seria e qual seria a pergunta?

Uauuuu que pergunta difícil, como escolher entre Neil Gaiman e Terry Pratchett? Como? Como? E como se não bastasse ter que escolher um dos dois ainda é uma pergunta só, até parece que eu ia perguntar só uma coisa né?! Para não deixar a brincadeira sem graça resposta, vou hipoteticamente escolher o Pratchett que dos dois é o que menos conheço e eu perguntaria para ele que tipo de sentimentos despertam nele a consciência de que tudo que ele escreveu tem um impacto absurdo nos leitores que ele tem mundo afora.

p.s. esse foi o dia mais difícil para mim responder, Tatá isso não é que se faça não 😉

Meme Literário – Dia 01

Dia 01 – Que livro que você está lendo? Sobre o que é? Onde você está? Você está gostando?

Para variar estou lendo várias coisas ao mesmo tempo:

Estranhas Irmãs, Terry Pratchett – comecei hoje, li pouco ainda, mas já estou amando, grande novidade que estou amando um livro do Pratchett né? Estou lendo para o Clube do Livro, ele é o sexto livro da série Discworld e conta a história de três bruxas um tanto peculiares: as bruxas Vovó Cera do Tempo, Tia Ogg e Margrete.
Elas vão encontrar um rei fantasma, um duque covarde, uma duquesa malévola, um bobo apaixonado e um ator mambembe. Através das três irmãs, Terry Pratchett evoca demônios, faz feitiços, altera o tempo, conclama uma assembléia de animais revoltados e promove um amor inusitado e me faz amá-lo, idolatrá-lo, salve, salve cada vez mais.

Todos os nomes, José Saramago – leitura para o Desafio Literário, também li pouco, mas como Saramago figura no meu altar de divindades literárias tenho certeza de que não vou me decepcionar, a história conta a história do Sr. José, empregado da mais baixa categoria de uma fictícia conservatória do Registo Civil. A vida do Sr. José é monótona e medíocre, mas esta personagem tem um passatempo curioso: coleccionar tudo o que na imprensa é publicado sobre personalidades famosas ou conhecidas. A vida do Sr. José continua igual, como sempre, até que um dia com o verbete de registo duma mulher desconhecida na mão, lhe surge uma questão: por que além de investigar a vida de personalidades famosas como bispos e jogadores de futebol, não vasculha também a vida de um anônimo? E aí o Sr. José parte numa busca desenfreada para encontrar a mulher desconhecida, usando meios por ele nunca antes pensados. Com isso, a monótona vida do pacato e bem comportado Sr. José passa a ganhar cores mais vivas e ele descobre que a vida de um desconhecido pode ser mais interessante do que a mera leitura de dados de um registro civil possa sugerir.

Como falar dragonês, Cressida Cowell – Esta leitura estou fazendo com o guri, lemos um pouco por vez, ora leio eu para ele, ora lê ele para mim, estamos adorando acompanhar a história de Soluço Spantosicus Strondus III, este já é o terceiro livro da série, e nele Soluço se vê em mais uma inimagiável aventura ao lado de seu peculiar dragão Banguela, seu amigo Perna-de-peixe e Camicazi, uma guria danada de apenas 1,20 que é mestre das fugas. Diversão garantida.